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Bienal de RosaRIO 2027, início A Bienal
Flores violetas de jacinto de agua entre las hojas verdes del humedal.

A Bienal

Por que uma bienal, por que Rosario e que diálogos queremos promover entre cidades, rios e saberes.

Rosario

Uma cidade anfíbia onde arte, cultura, tecnologias, ciências e ambiente dão vida a uma Bienal

ARTE Uma cor natal (Bertolé), uma construída de trás para frente, uma cor que contém o Tempo do Rio. Uma identidade complexa, incompleta talvez, uma que precisa do encontro para ser vista. Uma pulsão de sentidos que precisam do mundo para resolver o mistério local (Supisiche), porque é o Rio que medeia para ver a trama sob as aparências (Espino). Uma conexão e um conhecimento necessários entre aqueles que receberam a mesma “umidade” para entender o mundo (Grela). A síntese, o encontro, o diálogo entre o local e o global, o simbólico e o material, o colonial e o decolonial sempre estiveram ali, porque houve um Rio. Esse agente identitário não é estático, é um sendo, como a cidade desde sua fundação não colonial. Rosario nasceu desejando e sendo em sua diversidade de pensamentos, tempos e espaços. É uma obra sem tempo (Serón), com contradições (Prieto, 2022), nascida como uma folha em branco.

CULTURAS A ruptura com o linear na estética de seus espaços públicos pode nos ajudar a compreender sua marca diversa de origem. Vislumbrar-se como uma cidade cosmopolita lá pelo século XIX também revela sua confluência de imaginários. O germe horizontal, distribuído e ao mesmo tempo contraditório e em tensão com a centralidade de Buenos Aires, confere ao fazer das culturas locais um elemento distintivo que será chave na reconhecida “movida” cultural e turística. Rosario é cultura porque está fazendo e sendo. Essa é sua identidade cultural: intuitiva, disruptiva, sem tempos nem definições, uma invenção coletiva.

CIÊNCIAS A cidade é uma usina de saberes como tantas outras cidades do país ou da região. Mas soma sua marca inovadora alternativa. É um hub que representa 60% do desenvolvimento biotecnológico do país. Primeira cidade a criar um curso desse tipo, somada a diferentes marcos alcançados pelo CONICET e por reconhecidas referências do mundo da arte, das humanidades e da cultura, é uma zona de inovação com luz própria. Essa inovação pode ser entendida como energia com uma linguagem onde se cruzam os tempos, o novo e o diferente. Como toda energia, para existir precisa de resistências, e essas são aquelas contradições de origem que ainda persistem, dando lugar a uma ciência coletiva. Uma energia científica que alcança sua existência situada por ser interdisciplinar, aberta e em diálogo com o mundo. É nessa luz (sombra) que está o mistério (Vitali em Castagnino, 2024), porque “Observar mais longe no espaço significa observar mais atrás no tempo. A luz é o eco do cosmos” (Stia em Castagnino, 2024). Nesse processo está a imensidão, o sublime. Tal como o Rio com seus tempos (Malba, 2024). Assim, o Rio também é uma energia que parece imóvel quando, na verdade, deve sua imensidão à mudança, ao processo, ao movimento.

TECNOLOGIAS É nessa invenção e pulsão coletiva que nossa tecnologia se entende como processo, mais do que como um modelo associado ao tecnossolucionismo da época. E isso implica uma Ciência que vai além da mera observação, que dialoga com uma Tecnologia pública e cooperativa. Porque, como o Rio, a ciência é movimento, experimentação e ação.

AMBIENTE O Rio confere transparência à Natureza. Uma necessidade de fluir, de não ser interrompida. Confere-lhe democracia e, novamente, hibridez de origem e de tempos. Como exemplo, a fauna nativa —os peixes do Paraná— provém tanto de água salgada quanto de água doce. Nessa diversidade habitam (Oldani, 2020); é essa diversidade sem fronteiras que faz da Cidade-Rio uma oportunidade.

Origem e contexto institucional

A Bienal RosaRIO 2027 é um projeto promovido pela REDiCC —Rede de Diplomacia Científica Cultural Local— constituída em Rosario em 2024 por iniciativa da Área de Políticas Abertas e Diplomacia Científica Cultural (HyA-UNR). A rede foi apresentada pela primeira vez no âmbito internacional durante o Fórum Aberto de Ciências da América Latina e do Caribe (Colômbia).

A rede reúne instituições do âmbito acadêmico, governamental, privado e da sociedade civil.

A Bienal nasce como instrumento central da diplomacia científica, cultural e tecnológica da cidade, no marco do Tricentenário de Rosario. Seu antecedente direto é FUTUREAR (iniciado em novembro de 2024), evento exploratório do qual surge o compromisso interinstitucional: o Manifesto Futurear Cidades, documento de princípios desenvolvido pela REDiCC que orienta o processo coletivo do evento.

A Bienal, portanto, é pensada como um espaço, plataforma, projeto de aplicação concreta da diplomacia científica e cultural, levando em consideração a história da cidade, seus atores e agendas. É nesse marco que se firmam Acordos de Cooperação entre as partes integrantes da REDiCC para a organização da Bienal.

Por que uma Bienal?

As práticas emergentes da diplomacia científica, cultural e tecnológica mostram a pertinência de tal evento em nossa cidade. Como ficou registrado em toda a programação do Fórum Aberto de Ciências da América Latina e do Caribe (2024), a preponderância de uma nova e inovadora forma de diálogo é necessária diante da complexidade impulsionada pelas agendas ambientais, a inteligência artificial, a ciência aberta e os direitos culturais. As Humanidades e as Artes estão sendo convocadas com urgência a oferecer seu olhar nesse fazer da cooperação, de modo a ampliar o papel crítico da nossa região nas discussões globais. Nesse marco, tradicionalmente as Bienais têm sido, há décadas, um dos maiores instrumentos da diplomacia cultural e do diálogo de pensamento. Por isso, Rosario poderá ser entendida como essa interface que promove esses diálogos a partir da sinergia entre ciência, arte, ambiente, espaço público e tecnologia. Uma Bienal que aprofunde, com seus sentidos, provocações e o tempo do Rio, o dizer de seu tempo. Uma Bienal que habilite a experimentação, o poder fazer (Cusicanqui, 2018), além da mera observação. Promover a cidade como ponte, pulsar e algoritmo. Para isso, posicionar internacionalmente Rosario por meio de uma Bienal que reconhece sua trajetória cultural, vanguardas, a potência científica, as tecnologias cooperativas, o desfrute do espaço público e a cocriação público-privada no devir da gestão é, como dita o Rio, seu próprio destino. A Bienal de RosaRIO se propõe a interpelar a cooperação, as cidades e o pensamento crítico a partir de explorar Todos os tempos, um rio.

Por que Rosario, Santa Fe?

Se o destino é fortalecer a colaboração a partir de outras práticas, é imperativo nos re-conhecermos como cidade. É nesse exercício que reconhecemos o Rio como elemento comum em nossas derivas, políticas, pensamentos e vanguardas. O Rio como agente, mediador e provocador de cenários e práticas locais, mas fluxo global. Rosario como início de um ciclo de cidades em colaboração, como marcador do pulso vital que a natureza dispõe. Todos os tempos, um rio se propõe como espaço de encontro de saberes e fazeres que acionem o olhar para o presente como interrogação sobre o como e o quê do espaço comum, a partir de uma perspectiva situada e colaborativa. Todos os tempos, um rio é um dispositivo multiator, multinível, ambientalmente sustentável e justo, organizado em zonas/territórios/tempos. Como tal, aponta e promove a potência da ação conjunta. Neste leito, a formulação de problemáticas, artefatos e concepções se desdobrará em propostas que —de maneira constitutiva em seus processos de cooperação cultural, ambiental, científica e tecnológica inovadora— apontem novas posições como formas de ser/estar no mundo. Apoiada na proposta de Ticio Escobar (2026), a Bienal RosaRIO, com seu lema Todos os tempos, um rio propõe “precipitar significações que não repousem em respostas seguras; isto é, que desemboquem em perguntas novas”.

Que Bienal?

  • Distribuída territorialmente: nó central na Faixa do Rio + nós distribuídos em museus, faculdades, distritos, espaço público e ilhas.
  • Transdisciplinar: sem lógica de disciplina única. Ciência aberta, arte, humanidades, tecnologia e natureza em diálogo contínuo.
  • Multiator e multinível: público, privado, associativo, local, regional, global.
  • Ambientalmente sustentável e justa.
  • Cocriada: metodologias participativas antes, durante e depois do evento. CONTINUUM.
  • Indisciplinada e ‘indisciplinar’: conceito-chave nos documentos. Não se nomeia por disciplina.
  • Cidade Bienal: o papel das cidades como promotoras da glocalização. Cidade-Universidade-Cooperação.

Lema 2027

O lema Todos os Tempos, um Rio habilita de forma orgânica os leitos do evento. O Rio Paraná não funciona como tema decorativo, mas como eixo conceitual vivo: agente, mediador e provocador. O corpus documenta uma rica deriva coletiva sobre o Rio: confluência, mutação permanente, justiça ambiental, linguística, memória e espaço público. A identidade de Rosario se constrói a partir dessa interface rio-cidade.

Marco Conceitual

Todos os Tempos, um Rio como lema de 2027 apresenta-se, portanto, como uma primeira declaração política, poética e material de uma Bienal que busca se posicionar a partir de um fazer anfíbio, mais do que pela pulsão disciplinar do processo. Porque os rios abraçam o fluxo e se tornam um, outro, muitos. E transbordam. São novos, sem margens e sem tempos que os contenham.

Anfíbios somos: é o sendo identitário de uma cidade que, sem fundador, é porto-ilha, uma que soube ser Villa del Rosario, Cidade sem Margens (Museo de la Ciudad, 2004), certa vez chamada de a Chicago argentina e para sempre Berço da Bandeira. Rosario como cidade-bienal-rio é uma proposta baseada no estado particular de “sendo”, é um work in progress onde a tecnologia, a arte, a ciência e o ambiente fluem, se perguntam e te interpelam. Esse estado de busca, representado no ser anfíbio do evento, não exclui o caos nem, com ele, a anomia. É um fazer que implica transbordamentos para fluir em direção ao assombro do tempo, que algoritmicamente flui, sedimenta e transcende todos os tempos, um rio à beira do Paraná.

Todos os tempos, um rio se propõe como espaço de encontro de saberes e fazeres que acionem o olhar para o presente como interrogação sobre o como do espaço comum, a partir de uma perspectiva situada e colaborativa. Todos os tempos, um rio é um dispositivo multiator, multinível, ambientalmente sustentável e justo, organizado em leitos de fazeres, tempos e sentires. Como tal, promove a potência da ação conjunta a partir de um método híbrido. Neste leito, a interação de problemáticas, artefatos e concepções ficará expressa em propostas que —de maneira constitutiva em seus processos de cooperação cultural, ambiental, científica e tecnológica— apontem novas posições como formas de ser/estar no mundo anfíbio. Habilitada pela proposta de Ticio Escobar (2026), a Bienal Todos os tempos, um rio convida a “precipitar significações que não repousem em respostas seguras; isto é, que desemboquem em perguntas novas.”…como declaração pública, política, comum, para um fazer genuinamente em colaboração humana.

O estado anfíbio identitário da Bienal se traduz em um método curatorial de natureza coletiva a partir de três leitos-eixos principais, sendo a proposta central da Bienal o conceito de transbordamento como ato declaratório da emergência de época: interpelar o algoritmo transcendental do tempo que marca, sedimenta e faz fluir a memória, um ser-sendo que clama por assombros e cooperação diante de futuros e narrativas mutantes.

Uma Bienal é intrinsecamente uma plataforma de diálogo, de habilitação do pensamento crítico e das perspectivas de seu tempo. Por isso, ela também se enquadra em:

  • Ano Internacional do Turismo Sustentável e Resiliente 2027 – A/RES/78/260
  • Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável (2027-2036) – A/RES/80/308

A Bienal foi declarada de Interesse Acadêmico pelo Conselho Diretivo da Faculdade de Humanidades e Artes, Universidade Nacional de Rosario.